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[Análise] Brasil Game Show cresceu e precisa de ajustes

A Brasil Game Show 2014 acabou. Desde que a feira começou a ser organizada em São Paulo, em 2012, o evento se consolidou como uma das maiores feiras de games do mundo e isso reforça como o mercado brasileiro do setor de jogos eletrônicos está aquecido e maduro. Tem público, demanda e muitas oportunidades para todas as partes.

Desde aquele que quer conhecer um jogo novo, como aquele profissional que está iniciando sua companhia de games, distribuidores, fanáticos por games, cosplayers que travestem personagens dos seus jogos favoritos. Aqui no NoReset pontuo algumas observações sobre a edição 2014 – a força da BGS, as filas os youtubers e os indies.

O ‘pavilhão de fila’ no Expo Center Norte foi usado para organizar a entrada dos visitantes. Fila era a coisa mais comum na BGS 2014. Os estandes gigantes ficaram pequenos e as estações de jogos não deram conta de tanta demanda. Como por exemplo, quem quisesse experimentar os óculus de realidade virtual em vários estandes que tinham o Oculus Rift ou jogar o Mortal Kombat X, no estande da Warner Games, o gamer esperou cerca de 5 horas para poder experimentar o jogo por alguns minutos.

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Uma boa parte de um pavilhão da Expo Center Norte foi separado para organização dos torneios da Brasil Game Cup, que foi mais uma das novidades da feira, com o campeonato de Dota, valendo taça e prêmio de 60 mil reais. No entanto, apesar da iniciativa bacana, a sensação é de que o BGC ficou isolado diante de tanta movimentação nos outros pavilhões das produtoras.

A força da BGS

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Os estandes da BGS estavam grandes, coloridos, robustos, todos com eventos programados e muitos jogos para serem testados e comprados. Os grandes players, as first parties estiveram presentes como a Sony e a Microsoft. A grande baixa foi a Nintendo que ainda aparentemente não se mostrou interessada no mercado brasileiro. Isso a parte, as grandes produtoras e desenvolvedoras como Konami, Capcom, Ubisoft, EA, Warner e Activision (sem a Blizzard) marcaram suas posições.

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Claro, sem contar que mesmo simples, a área Evolução do Videogame mostrou presença e os visitantes foram afoitos tirar fotos e chegaram até lá por curiosidade para conhecer como o videogame chegou aos patamares atuais. Lá ainda era possível jogar clássicos do Arcade, como a série The King of Fighters (SNK), Super Siderkicks 3 (SNK) e entre outros games que formam uma verdadeira viagem ao passado.

O evento tornou-se a referência no mercado latino-americano de games e principalmente para o mercado brasileiro. De cerca de 4 mil pessoas na primeira edição, ainda na então Rio Game Show, depois virando BGS, e saltando para 30 mil pessoas e chegando a São Paulo, contando com pelo menos 250 mil visitantes na edição deste ano, segundo as estimativas da organização do evento. Como todo grande evento, sempre ajustes serão feitos, mas a BGS sem dúvidas é uma grande vitrine do setor.

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Muitas filas e poucas estações de jogos

O ‘pavilhão de fila’ no Expo Center Norte foi usado para organizar a entrada dos visitantes. Fila era a coisa mais comum na BGS 2014. Os estandes gigantes ficaram pequenos e as estações de jogos não deram conta de tanta demanda. Como por exemplo, quem quisesse experimentar os óculus de realidade virtual em vários estandes que tinham o Oculus Rift ou jogar o Mortal Kombat X, no estande da Warner Games, o gamer esperou cerca de 5 horas para poder experimentar o jogo por alguns minutos.

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Uma boa parte de um pavilhão da Expo Center Norte foi separado para organização dos torneios da Brasil Game Cup, que foi mais uma das novidades da feira, com o campeonato de Dota, valendo taça e prêmio de 60 mil reais. No entanto, apesar da iniciativa bacana, a sensação é de que o BGC ficou isolado diante de tanta movimentação nos outros pavilhões das produtoras.

Youtubers causaram histeria e confusão na BGS

A feira recebe cada vez mais público, isso é muito bom. Mostra que a cultura dos games está presente no brasileiro, que gosta de videogame. Não há o que contestar. Porém, cabe ressaltar que a organização não contava com a forte presença dos youtubers e seus fãs que os acompanham na internet.

A organização pode pensar numa forma de trazer eles por alguns critérios – como engajamento e audiência. Ou até mesmo por meio de convites por meio dos expositores – entenda produtoras – para atrair mais publico. Mas, também é preciso apontar o abuso por parte destes youtubers, que não colaboraram com a organização, agiram de forma truculenta, infantil e irresponsável em alguns momentos, provocando pequenos tumultos, quase provocando grande tumulto num evento que já tinha muita gente.

O ápice da confusão foi um youtuber que agrediu um segurança dando um tapa na cara como se tivesse razão. Logo depois, ele foi expulso. A sala dedicada aos produtores de conteúdo web, como blogs, sites independentes e youtubers, foi vandalizada por alguns youtubers irresponsáveis. O local teve mesas e tomadas destruídas por alguns que estavam apenas brincando ao invés de acompanhar e cobrir a feira. A organização, com razão, lacrou a sala.

Indies marginalizados

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Já com os indies ficou uma frustração. Conversei com vários desenvolvedores que deram toda a atenção para mostrar o seu jogo, que não fica devendo em nada aos blockbusters da indústria de games.

Muitos desenvolvedores não tem uma estrutura adequada, com vários funcionários a disposição ou até mesmo um estúdio próprio. Tudo é feito a distância. A estrutura das empresas variou muito. Têm empresas indies compostas por 2 funcionários – onde um era o art designer e programador e o outro era o programador e comercial ao mesmo tempo – e tinham também alguns desenvolvedores com uma boa sobrevida, com quatro anos de atividade no mercado, mostrando que ainda há uma luz no fim do túnel.

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Mesmo assim, o que se pode perceber é que a organização poderia ter um cuidado a mais com os indies, que reclamaram do preço alto de uma pequena área do estande – um me disse que pagou até 4 mil reais pelo espaço médio de 2 metros quadrados – e da localização. Se sentiram marginalizados diante de gigantes como Microsoft, Sony, Konami, Ubisoft e Activision. Uma disputa desleal.

Eles apontaram que a feira ajuda na visibilidade. Os visitantes chegaram até eles, mas mesmo assim o visitante teria que se esforçar bem para achar a área dos indies. A organização poderia pensar numa forma de juntar os indies em um espaço para mostrar os produtos, reduzindo o valor ou até mesmo isentando os indies para que eles possam mostrar os trabalhos e ao mesmo tempo impulsionar o desenvolvimento deles, trazendo por consequência mais visitantes e investidores para a feira e para as empresas indies de jogos. Uma mão lava a outra.

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Entre os desenvolvedores indies, muitos afirmaram que seus colegas de outras empresas preferiram optar por outros eventos como o X5 Mega Arena, que aconteceu em setembro porque os indies não precisaram pagar para expor seus jogos. Foi importante a presença dos indies na BGS? Foi. Mas, agora é necessário repensar a acomodação deles para que todos os lados saiam ganhando – visitantes, desenvolvedores e organização.

Futuro

Agora o momento é balancear os vários pontos positivos e negativos que precisam ser aprimorados e melhorados, para fazer uma edição 2015 melhor do que está edição que já passou e ainda assim foi bem sucedida.

Caso a feira continue tomando grandes proporções de público, talvez a organização já tenha que começar a pensar no Centro de Convenções do Anhembi – o maior da cidade de São Paulo -, para ser a sede das futuras edições da BGS. Afinal, os videogames são uma paixão sem limites, não é mesmo?

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Sobre Cido Coelho

Jornalista, radialista e sociólogo. Mora em São Paulo, no Brasil. Trabalhou portal estadao.com.br, do jornal O Estado de S. Paulo e na editoria de Esportes do portal Terra. Amante da tecnologia e dos games é o criador do NoReset. É responsável pela edição, reportagem e administração do Site, Twitter, e Facebook do NoReset. Gosta de games de aventura, luta, de se reunir e dar risada, beber com os amigos e contar piadas sem graça. E é claro, gosta de falar sobre coisas geeks. Email: coelho@noreset.net e noreset@noreset.net.

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