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GameNews #18 – Entrevista: Marcelo Tavares (Brasil Game Show)

O episódio 18 do GameNews é especial. Cido Coelho, Eduardo Moska, Leandro Garcia, Bianca Veloso entrevistaram Marcelo Tavares, líder e criador da Brasil Game Show no dia 27 de maio via Skype.

Ele fala sobre as novidades da BGS 2014, sobre coleções de games, um pouco de sua vida, games (claro!), política, industria, regionalização de eventos e adianta em primeira mão que a BGS terá um pavilhão para os desenvolvedores indies.

Confira agora e ouça a entrevista que tem duração de 1h05. O GameNews é produzido pelos sites NoReset (SP), Level Gamer (DF) e ReportGamer (RJ).

Entrevista: Odallus, Oniken e o crowdfunding no Brasil

O pessoal da ZeroQuatroMídia está de volta com mais uma entrevista com desenvolvedores de games nacionais. Desta vez eles se sentaram com a equipe da JoyMasher, famosos por criar o jogo Oniken e que agora trabalham duro para financiar o Odallus, um jogo com fortes influências de Castlevania e Metroid.

Confira todos os detalhes no vídeo:

[Entrevista] ‘Activision quer se aproximar do gamer brasileiro’, diz Max Morais

ENTREVISTA Durante a Brasil Game Show 2012, a Activision mostra que está oficialmente no Brasil manteve um estande que não deixou a desejar. Muitos gamers circularam pelo local, esperaram na fila para jogar Call of Duty: Black Ops 2 e conhecer os novos lançamentos da produtora. Para o gerente de Vendas e Marketing para a América Latina da Activision, Max Morais (ex-Electronic Arts), a chegada oficial no Brasil, há quatro meses, é mais uma forma de aproximação com o consumidor brasileiro. A publisher quer mostrar uma experiência de jogos mais aprimorada com grandes lançamentos no país, atrelado ao mercado mundial, com muitas novidades para os gamers. Além disso, a empresa promete ‘o maior lançamento no mercado de games brasileiro’. Confira a entrevista exclusiva feita para o NoReset.

NoReset – O que foi determinante para a Activision chegar ao Brasil?

Max Morais – Cada vez mais estamos acompanhando a evolução do mercado brasileiro de game o desenvolvimento da categoria no país.  Queremos entregar uma experiencia ainda maior para o nosso consumidor, para nosso gamer. Esse é o grande pilar de tudo isso, para estarmos próximos ao consumidor, dos gamers brasileiros, entender e trabalhar as suas necessidades a altura.

NoR – Como a Activision está trabalhando para a localização dos jogos?

MM – Isso é super bacana de comentar. Faz 4 meses que realmente nos estabelecemos nossa presença com a nossa representação oficial no Brasil. Com uma pessoa responsável pela Activision e respondendo pela empresa. Neste curto espaço de tempo nós conseguimos coisas surpreendentes. A primeira é o fato de a nossa franquia Call of Duty que terá o jogo 100% localizado em português pela primeira vez. Outro ponto interessante é que vamos lançar o produto na mesma janela do mercado norte-americano. Foram uma das necessidades dos games que sempre foram comentadas por aqui que agora estamos atendendo.

Activision está no Brasil oficialmente há quatro meses (Foto: Cido Coelho/NoReset)

NoR – Vocês planejam puxar talentos do Brasil para fora? Tem como fazer alguma produção que pode ser feita no país?

Max Moraes – Estamos começando agora todo o processo aqui, com o representante no Brasil. Nos continuamos nosso modelo de negócios da distribuição via NeoPlay, que é do grupo Positivo Informática. Então continuamos a mecânica de distribuição da mesma maneira. Vamos ter a distribuição focada através da NeoPlay.

NoR – Com isso os jogos que são lançados no circuito EUA-Europa-Japão também serão lançados em conjunto no Brasil…

MM – Nos planejamos o lançamento do jogo Call of Duty: Black Ops 2 para o Brasil no dia 13 de novembro de 2012. Nos estamos com um plano de marketing, planejando alguns eventos. Nos ainda não definimos quais serão estes espaços e onde serão estes eventos, mas no momento adequado vamos comunicar, vocês terão todas as informações. Mas, certamente nossos parceiros comerciais estarão nestes esforços de lançamento e sem dúvida nenhuma vai ser o maior lançamento do mercado brasileiro de games.

NoR –Como a Microsoft, Nintendo e Sony estão apoaindo a Activision no Brasil?

MM – Como você pode ver o mercado está crescendo. O mercado está desenvolvimento e todos os players estão jogando neste sentido de desenvolver. A Activision não é diferente disso. Nos estamos muito focados no mercado brasileiro. A partir de agora vamos nos focar cada vez mais e vamos buscar essa experiencia distinta para o mercado brasileiro de jogos.

NoR – Qual é o balanço que você faz da feira e quais serão os próximos passos?

MM –  As imagens falam por si só o público tem recebido muito bem. Está super engajado, a resposta tem sido super positiva, por exemplo, o fato da localização em português, ato de trazer pela primeira vez as Collector’s Editions para o mercado brasileiro. Estamos com muita expectativa não só com Call of Duty: Black Ops 2, mas também com outros títulos como Skylander que é uma franquia super forte lá fora, que trouxemos para o mercado brasileiro oficialmente, no dia 25 foi o lançamento oficial de Skylander SSA. Em todo o mercado, com plano de marketing. Você poderá encontrar todo o portifólio de produtos Skylanders. E não para por aí: Vem Skylanders Giants, a partir de 22 de novembro, com o portfólio completo para o mercado brasileiro para que o consumidor e gamer possa ter a experiência de imediato.

[Entrevista] “Brasil é prioridade para o PlayStation”, diz gerente da Sony

ENTREVISTA Há cerca de quatro meses à frente do marketing e comunicação da Sony do Brasil, Luciano Bottura, esteve na Brasil Game Show 2012 e trouxe boas notícias para os gamers brasileiros. Segundo ele, diversos títulos da Sony serão lançados em português, como God of War: Ascension. O executivo ressalta que, até os títulos que não são campeões de venda, serão, ao menos, legendados para o português-brasileiro, para atrair mais jogadores aqui no País e para ampliar o seu mercado.

NoReset: A Sony está dando mais atenção para o Brasil?

Luciano Bottura: A gente está quase há dois anos oficialmente no Brasil com a marca PlayStation. Estamos importando hardware e software. Hardware é principalmente a nossa maior competição. Hoje, querendo ou não, enfrentamos o problema da taxa, o imposto de importação de softwares e games é muito alto. Temos que nos prevenir contra a pirataria.

Além disso, o Brasil é o quarto país mais importante para a própria Sony. O Brasil é o mercado alvo para a empresa. Então não tem como ficar fora disso. Toda as categorias de negócios e de produtos estão sendo miradas para o mercado brasileiro. Estamos vindo com tudo para que, em 2014, sejamos líderes de mercado em todos os segmentos de eletrônicos.

NoR: O que será feito sobre a localização dos jogos para o Brasil? Os lançamentos no mercado brasileiro serão simultâneos como os mercados norte-americano, europeu e japonês?

LB: Alguns jogos serão em português. Como o Brasil é mercado chave, não tem como não ter jogos em português. Acho que a grande prova disso é Uncharted 3 e uma coisa que já dá para adiantar é que God of War: Ascension será em português.

Outra novidade que posso afirmar é que a gente está fazendo uma promoção em que os jogadores brasileiros podem colocar a voz como um dos personagens do jogo. Tanto os nossos estúdios que ficam em Santa Monica, nos Estados Unidos, e no Japão já entenderam a necessidade de ter a tradução, de o jogo vir em português.

Sony, Microsoft e Nintendo instalaram os maiores estandes da Brasil Game Show 2012. Jogadores esperaram mais de duas horas na fila para jogar God of War: Ascension, que será lançado ano que vem no país (Foto: Cido Coelho/NoReset)

Uma coisa que a Sony Computer Entertaiment (SCE), marca PlayStation, já assegurou é que os principais títulos serão lançados mundialmente em português brasileiro. Então, a gente já viu como o mercado brasileiro é importante, todos jogos de grande venda serão feitos em português. Já os jogos que não são tão vendidos, serão legendados em português.

NoR: Por importadores, o valor do PlayStation 3 varia de R$ 800 a R$ 900 e, no Brasil, custa entre R$ 1100 e R$ 1300. Quais atitudes a Sony vai tomar sobre a diferença dos preços para enfrentar a concorrência da Nintendo e Microsoft?

LB: Hoje o nosso produto é importado, e temos uma barreira, a taxa de imposto de importação. Vamos continuar importando nossos produtos e entendemos que existe um valor agregado maior. O PlayStation é um produto de valor agregado e de desejo do consumidor. Então queremos cada vez mais trabalhar trazendo novos entretenimentos, novos diferenciais ao console, agregando novas experiências ao consumidor para que ele possa pagar por isso.

Com isso, o importador fica fora de nossa alçada. Isso é uma questão com o governo e as autoridades precisam trabalhar em cima disso. Não é uma competência da Sony. A empresa importa legalmente, pagamos todos os impostos e colocamos em prática o preço sugerido. Assim, conseguimos criar um premium para que o consumidor entenda o valor do produto.

Luciano Bottura afirma que a companhia japonesa tem o Brasil como uma das principais prioridades para a marca PlayStation. (Foto: Divulgação/Sony)

NoR: Quais jogos a Sony vai disponibilizar no mercado brasileiro?

LB: O PlayStation All-Stars Battle Royale, que vamos lançar este ano e vai vir em português, e o Sports Champions, para o PS Move. E o lançamento que podemos destacar para o próximo semestre é o God of War, que terá o áudio em português.

NoR: A Sony já tem um planejamento para fabricar consoles no Brasil?

LB: Hoje, trabalhamos 100% com consoles importados. Estamos estudando, vendo as possibilidades e, por enquanto, não há nada concreto sobre produção de consoles no Brasil.

NoR: O tamanho da BGS 2012 já chega próximo à E3 (Electronic Entertainment Expo)? Qual o balanço você faz deste evento?

LB: A Brasil Game Show ainda não tem o nível da E3. Mas a decisão de trazer a feira para São Paulo foi correta. Tanto pela escolha do local, que foi muito bem estruturado, quanto pelo tamanho do público, já que todos os ingressos foram vendidos. No ano passado, tínhamos 34 estações de jogos e este ano temos 76. A gente se preparou para o crescimento da feira. E é só uma questão de tempo da Brasil Game Show chegar ao tamanho de uma E3. O público brasileiro vem demonstrando que ama games, é um público engajado que vibra com tudo isso, e as empresas estão apostando.

Acho que a maturidade vem com o tempo e não estamos deixando nada a desejar. Eu estive na última E3 e, mesmo sendo uma feira um pouco menor, acho que o nosso estande está bonito e tem gente que está pegando duas horas de fila para jogar God of War. Existe resposta melhor que essa, quando o consumidor sai sorrindo após pegar um brinde e quer pegar a fila de novo? Acredito que não.

 

Mercado de consoles vai encolher, diz desenvolvedor da Sega

Além de comentar sobre o futuro dos consoles, Nagoshi comenta sobre a quantidade de botões que os videogames de hoje têm. Foto: Divulgação
Além de comentar sobre o futuro dos consoles, Nagoshi comenta sobre a quantidade de botões que os videogames de hoje têm. Foto: Divulgação

Em entrevista ao site Computer and Video Games (CVG), o desenvolvedor da Sega, e criador de Yakuza e de Super Monkey Ball, Toshihiro Nagoshi, disse que o mercado de consoles vai ficar cada vez menor e que o mercado de portátil vai ser a grande força do setor. Leia Mais »

Dia da Internet: entrevista com Demi Getschko

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Poucos sabem, mas, nesta segunda-feira, 17,  é o Dia da Internet. Por isso, para quem ainda não sabe como a internet nasceu e, de forma avassaladora, tomou conta de nossas vidas, eu estou republicando uma entrevista que eu fiz em 2009, num ‘ex-site informativo’.

Eu entrevistei Demi Getschko, que é considerado um dos pais da internet no Brasil. Ele foi um dos primeiros brasileiros que fizeram troca de e-mails e ajudou a implantar a web várias empresas pelo país.

Demi,  engenheiro formado pela USP, conta como que a internet era lenta feita uma tartaruga e como era demorado enviar um email – é sério, chegava a demorar horas para uma mensagem simples chegar ao destinatário, hoje o e-mail enviado chega em questão de segundos.

Além disso, ele conta como surgiram os novos negócios na rede e como está a questão da segurança na web.   Confira a entrevista logo abaixo.

Demi Getschko, considerado um dos pais da internet no Brasil, é Engenheiro Elétrico formado pela USP (Universidade de São Paulo) e diretor-presidente do Nic.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br), que implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Na entrevista, Getshcko conta como a internet chegou ao Brasil, e faz um panorama da evolução da rede desde que foi criada, passando pela comunicação via e-mail, redes sociais, os problemas gerados pela revolução: como as causas da “Bolha de 2000” e crimes virtuais, sem deixar de mencionar a qualidade de vida proporcionada pela web.

O engenheiro fala ainda sobre os novos negócios surgidos a partir da conexão via rede e a segurança das informações. “Os crimes são os mesmos do mundo real, e a rede é um instrumento a mais para que a gente possa ir atrás deles e coibí-lo. Outro ponto, é que o criminoso é o sujeito e não a rede. Certamente existem muitos crimes cometidos por telefone e ninguém tirou do ar a telefonia por conta disso”.

Por Cido Coelho

Você pode contar um pouquinho como foi a sua contribuição para a chegada da Internet no Brasil?
Demi Getschko (DG) –
Bom, realizaram uma pesquisa nos anos 70 e 80 na área de ciência da computação e, na verdade, lá fora, nos EUA principalmente, a Internet já começava a ser usada para troca de informação entre pesquisadores. Então o pessoal do Brasil que ia fazer doutorado ou mestrado fora, acabava tendo contato com redes, correio eletrônico, essas coisas e era uma ferramenta muito útil para conversar com os colegas e com o orientador, fazer experimentos remotamente.
Quando voltavam ao Brasil, eles sentiam falta dessas coisas. Começou uma pressão em alguns departamentos mais ligados à computação ou à física para ver como é que se faria para que o Brasil, de alguma forma, manter o contato com seus colegas de fora como faziam quando estavam no exterior.
Então, numa reunião, a gente achou que valia a pena que a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) encabeçasse a união das três universidades, e quem mais fosse interessado e para conseguir uma linha lá fora. Ao mesmo tempo em que a gente fazia isso em São Paulo, outros grupos no Rio faziam mais ou menos a mesma coisa, e sofriam a mesma pressão.
Nós tivemos uma reunião na Poli, acho que foi em 1987, onde esses grupos sincronizaram-se e decidiram então que iam fazer um esforço para ligar uma rede internacional que na época era mais usada. Era uma rede chamada Bitnet que era bastante simples e também de baixo custo.
No final, cresceu como se fosse uma estrela, com um monte de ligações espetadas na Fapesp e outras no Rio no LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica), todo mundo ligado na Bitnet, assim essas duas estrelas não estavam conectadas entre si. Até então não havia uma forma de ir de São Paulo até o Rio sem passar pelos EUA e o correio era entregue em algumas horas, o que na época era um espetáculo, todo mundo estava muito feliz.

NoReset – Quando foi que começou a Internet como conhecemos?
DG –
A rede era, evidentemente, muito lenta e ruim, é preciso lembrar que nessa época a Internet não tinha web não tinha sites, era uma rede de correio eletrônico. Isso mudou depois 91, quando surgiu a proposta de online web, mas em 1993 tivemos o primeiro contato com browser e coisas do gênero. À essa altura também as linhas já melhoraram muito. Então quando entraram as imagens, nós achamos que ela [a linha de conexão] ia afundar de vez, que não iríamos mais conseguir passar nada. Mas por sorte, também as linhas começavam a ficar mais rápidas. E aí, outra coisa que puxou o evento foi a Eco 92, no Rio. Veio um monte de gente do mundo inteiro que queria o correio eletrônico como usavam no seu país de origem. E conseguimos. Eles vieram ao Brasil e continuaram usando a Internet, o que foi importante para firmarmos a rede. Daí para frente foi mais fácil a iniciativa, foi por aí, ligamos a comunidade acadêmica, o terceiro setor praticamente acordando para redes. Depois as operadoras de telecomunicações começaram a ver que esse era o assunto do momento, que é um mercado e um negócio novo que eles não enxergavam.

NoReset – Você imaginava as proporções que a Internet ia ganhar? Porque você falou que no início era só email, trocavam informações e textos. Não tinha imagem. Você tinha ideia do que ia virar a Internet, que empresas iriam trabalhar só com isso?
DG–
Então, veja, isso é estranho. No começo foi o correio eletrônico, que tinha um status. Você mandava correio para o mais importante cara possível e ele mandava resposta em uma ou duas horas. Era uma ferramenta muito chique, foi uma grande conquista da rede, te livra do correio convencional e dá grande agilidade de comunicação. Mas, na época, não se imaginava que alguém ia ter um site próprio, colocar os dados dele; a fotografia do cachorro ou discutir o que fazer no domingo no jantar da família.
Certamente nós não prevíamos isso. Esperávamos que seria extremamente útil, mas ninguém achava que viraria uma forma de expressão individual, que as pessoas se expressariam pela rede, que haveria páginas e informações de cada um. No máximo a gente achou que comunidades teriam diretórios que interessam àquelas comunidades, que já existiam antes da web. Eu não tinha como prever isso na época. A gente acompanhou espantado os grandes saltos que a rede deu.

NoReset – Essa tendência de colaboração mostra que as pessoas que desenvolvem Internet hoje, esses criadores, estão de olho no que os usuários estão querendo, não é?
DG–
Na verdade os usuários se misturam com os criadores. Se você pensar direito, qualquer pessoa com habilidade consegue gerar novas coisas na rede. Antigamente, computação era uma coisa de marfim, onde só grandes especialistas davam palpite. Com a história da troca de informações, você pode ter programadores que nem falam a mesma língua, e nem se entenderiam no mundo real, mas se entendem no mundo virtual, trocando palavras em linguagem computacional. Eles podem gerar linguagem computacional, sem entender o que falam no dia-a-dia. Porque eles vão trocar pedaços de código. Outra coisa interessante é isso, não é que Internet seja grátis ou que tudo na Internet é grátis, mas sim que a ela inventou uma cultura de código aberto, que certamente não tinha antes.
Mesmo os sistemas operacionais abertos que existem de monte, hoje, de certa forma a Internet ajudou os sistemas abertos e os sistemas abertos ajudaram a Internet. É um caminho de duas mãos porque a própria Internet foi escrita de forma aberta. Umas criações sobrevivem, outras morrem. Mas isso é uma condição Darwiniana. Nem todo mundo sobrevive. A evolução vai escolher os melhores, mas você pode criar de monte.

NoReset – Demi, você fala sobre a liberdade na Internet e a cultura da colaboração. Por isso, questiono sobre a Lei Azeredo e o compartilhamento de arquivos.
DG–
Na minha opinião, pouquíssimos delitos, infrações, fraudes ou o que for, são, digamos, novos e existem por causa da rede. A maioria são os velhos, quer dizer, comprar uma bicicleta pela rede e não entregarem é um estelionato igual quando você comprar uma bicicleta pelo telefone e não entregam, ou comprar uma bicicleta na loja e não entregam, é o mesmo crime.
Nós ficamos muito nervosos ou emotivos por causa do estado geral de não confiabilidade ou falta de segurança, nós não devemos encontrar o culpado disso, principalmente, se a gente achar que o culpado é a rede.
Certamente a rede pode disseminar material que é inadequado e ilegal, mas a rede não age na pedofilia ou viola. Na verdade, o que a rede faz é transportar para o mundo real coisas do mundo virtual. Ninguém assassina ninguém pela Internet, você terá que pegar o cara fisicamente.
Segundo ponto, é que o criminoso é o sujeito e não a rede. Outro erro é ir em cima do meio e não do fim. Certamente existem muitos crimes feitos por telefone e ninguém tirou do ar a telefonia por conta disso e também cartas anônimas que podiam xingar alguém ou acabar com a reputação de alguém. Nem por isso ninguém foi tirar o correio do ar.
Eu não sou especialista na área de direito, mas digamos que fosse importante ter uma lei nesse sentido, para pegar esses crimes novos via rede. Mesmo assim, o problema da [Lei] Azeredo é a definição – aí vocês é que vão olhar no texto da lei. A definição do que é equipamento de comunicação é tão vaga que o fato de eu estar gravando no seu microfone aqui, como você não me autorizou, a priori, pode ser que seja um crime, porque eu estou usando um equipamento de informática sem uma autorização prévia do titular. Quer dizer, eu não sei se isso é crime ou não, porque eu não sei se eu podia gravar no seu microfone (risos).

NoReset – Mas ao mesmo tempo em que negócios antigos estão sendo modificados, novos negócios também surgem?
DG–
Claro. Foi o que aconteceu com as máquinas de escrever, ninguém hoje fabrica máquinas de escrever. Elas não tem como continuar, o mundo muda. Talvez na China ainda tenha. Em outros lugares, alguns modelos de negócios vão sumir porque não têm como ficar. Até na área de telecomunicações, ou até na produção de obras de conteúdo de área o modelo pode ser outro, isso não afeta ao autor afeta o modelo inteiro.

NoReset – Por exemplo, da “Bolha de 2000”, quando muitas empresas apostaram na Internet, daquela crise da Internet. Onde elas erraram, foi uma aposta excessiva ou foi uma falha?
DG–
Foi uma aposta excessiva, eu me lembro de um exemplo, na época o “Dick” vendeu a base dele, e ele vendeu duas ou três vezes. Eu li num livro em que cada usuário valia US$ 1 mil. Então, se você tem 50 mil usuários, você tem US$ 50 milhões em ativos. Cada usuário vale US$ 1 mil, o Google tem um “zilhão” e meio de usuários e ninguém faz a conta de US$ 1 mil por usuário. Certamente, o valor que foi atribuído àquilo foi um valor fora de contexto. Quem conseguiu vender a base no começo saiu-se muito bem. Quem não conseguiu, a base foi sendo desvalorizada com o tempo (risos).
Então as métricas não estavam claras, tudo isso demora a acertar, certamente pegou o momento que o IPO (oferta pública de ações) era moda, vamos abrir a empresa para bolsa e nossas ações vão subir 200%, essa foi a causa da bolha. Outra causa da bolha é quando você tem muita gente criativa envolvida e aí você tem muitas ideias aparecendo. Algumas são boas, corretas e perfeitas, mas vem antes do tempo. Exemplo: o UOL criou um quadradinho na página que chamava TV UOL. Tinha uma bola que pulava. Ela só pulava 2 ou 3 vezes porque não havia banda, aí tiraram, sumiu (risos).
Então não era hora de fazer TV na rede quando mal funcionavam as imagens estáticas. Certas ideias tem que vir na hora certa. Quanto tempo o USB levou para sair do inútil para o útil para todo mundo? Algumas coisas nascem antes da hora e não conseguem sobreviver, até o momento em que seriam viáveis. A bolha pode ter um efeito desse tipo, mas devem haver outras coisas acontecendo.

NoReset – O desenvolvimento de Internet tem paralelamente o desenvolvimento de conteúdo para o usuário, como é a questão da segurança?
DG–
A questão da segurança é complicada, tem que ser batalhado e adquirido pelo usuário no dia a dia, ferramentas de segurança que a rede tenta implementar na Internet tem alguns princípios. Para lembrar, você nunca põe a complexidade no centro, nem para ser expandida ou escalada, você nunca vai ter ferramentas na rede que solucionem casos de criptografia, isso tem que ser feito pelas beiradas. A rede é algo indomável, tudo circula na rede. Se você quer se garantir, tem que colocar sua trincheira ao redor da sua máquina, do seu provedor, nas beiradas. Não espere que a rede crie algo seguro para todos. O que é seguro para você não é para ele.
A rede tenta melhorar no global. São difíceis de serem feitas, o centro da rede nunca vai ser suficientemente seguro porque foi feito para ser escalonável. O que é de segurança você tem que por em volta da sua máquina. Existe uma frase do Millôr (cartunista) que diz que “se você quer segurança, não saia de casa, não saia do quarto, não saia do cofre” (risos).

NoReset – A Internet virou um grande Big Brother. As comissões da Internet têm como fazer esse controle ou a coisa fugiu de controle?
DG –
Evidente que existe um monte de informação sobre você na rede, a Internet é aparentemente antagônica. É uma forma de você fazer as coisas de forma anônima e, ao mesmo tempo, ela tem muitas informações sobre você. Essas coisas coexistem. Você é anônimo e você pode dizer que é o Antônio ou que é o Napoleão [Bonaparte], mas existe tanta informação sobre Napoleão que na hora em que juntarem essa informação, você está descrito na rede. Existe um momento que junta num clique, um personagem da rede com um real. Então é verdade que sua informação está na rede, é verdade que você pode ser rastreado mas foi você que gerou isso, você colocou suas buscas e você gera a informação para que o pessoal rastreie.
Quanto ao fato de haver controle, isso aí também tem riscos. O grande controle da rede nunca é feito em nível de governança ou pontos específicos. O grande risco são governos que quiserem controlar a rede e colocarem policiamentos e monitoramentos junto a grandes operadoras de telecomunicações onde passam um nível enorme de informação. Os projetos americanos, de investigar trânsitos ligados a grandes redes de telecomunicação, não a estruturas lógicas da rede estruturas lógicas são as de controle, não de conteúdo. Risco, de fato, pode existir, a vantagem que você tem é de ser razoavelmente anônimo. Se você quer os benefícios desse mundo, tem que permitir que te rastreiem.

NoReset – As poucas empresas que estão com a infraestrutura de toda nossa Internet influenciam no preço da Internet. É por isso que a banda larga não é tão larga?
DG –
Evidente que ela vai cobrar o que consegue cobrar (risos) se ela puder cobrar mais, isso é um problema econômico, eu não sou economista. Eu sei que a nossa comparação de custos é desfavorável para nós. Lá fora, a banda larga é mais larga que a nossa. Não sei quão larga ela é, mas tudo que é adjetivo é ruim de você dizer. Engenheiro não gosta de adjetivos.
Você tem que dizer banda de tantos kilobites. Se é largo ou não, eu não sei. Isso é um adjetivo. Não sei se quer dizer boa ou adequada, não faz sentido. O que eu acho importante é que, se houvessem vários fornecedores e que você pudesse trocar para cabo, rádio, fibra óptica, sistema elétrico o importante é que houve alternativas para gerar competitividade, qualidade e preço. O risco é quando você não tem outras opções para saber se a banda está larga ou não, tem que comparar com dados lá fora. Eu não vou entrar nesse aspecto.

NoReset – O Brasil é um país muito grande, tem muita gente conectada e muita gente que não está conectada.
DG –
Esse é o problema da nossa banda larga quando se compara o Brasil com Cingapura. Ela é uma cidade deve ser equivalente a Lapa [bairro de São Paulo] (risos). Não dá para comparar Cingapura com o Brasil. Mesmo a Coreia, porque é meia São Paulo. Tem que comparar o Brasil com China, que é difícil de dar conectividade para todo mundo. Tem áreas muito bem resolvidas e áreas que não tem como funcionar. Esse tipo de contraste acontece em todas as áreas e é assim que é.

NoReset – A Internet também trouxe qualidade de vida. De repente você pode fazer coisas pela rede e ganhar tempo para ir ao parque, fazer coisas com seu filho, fazer pagamentos pela Internet em vez de pegar fila.
DG–
Sim, com certeza. Banco, compras de livro, essas coisas numa cidade como a nossa [São Paulo] que você não consegue andar. O que você faria sem poder comprar coisas pela rede? Certas coisas a gente desiste fisicamente de comprar. Você já sabe o que é, e sabe o preço. Você não precisa ir e ver.
Difícil é comprar uma roupa pela rede ou uma coisa que você precisa apalpar, mas, certamente, comprar um disco ou um livro que você sabe o que é você sabe o preço e que o cara entrega. Acabou. Eu não vou sair para pegar uma fila de shopping pra fazer compra.
Quanto tempo faz que você não vai a uma agência de banco. A gente se vira pela rede. Claro que tem seu risco, mas tudo tem. Caixa também tem. Você vai ao caixa 24 horas às 23 horas, à noite, em um lugar ruim. É muito melhor você estar na rede.

NoReset – Como você vê o futuro da Internet no Brasil e ao redor do mundo?
DG –
Em relação à Internet, em si, eu diria o seguinte acho que nós até agora e eu me incluo nisso, a gente enxerga a rede por pedaços. Hoje, por exemplo, está se discutindo comunidades virtuais. O Twitter é a moda. Todo mundo quer me seguir, mas não vou para lugar nenhum. Então, tem um monte de gente me seguindo, mas eu não saí do meu lugar (risos). Não adianta nada ficar me seguindo. Essa é a moda atual. Acho que a gente sempre vê a Internet pelos modismos de cada instante. O interessante seria afastar-se disso. E ver a rede como movimento global para onde as coisas estão indo.
Acho que o importante é que a grande alteração de comportamento. Primeiro você dá ao indivíduo expressão, independentemente se ele fala coisa com coisa ou não. É a história dos blogs, da expressão pessoal de cada um.

Segundo, essa história de que você põe as pessoas em contato direto. É uma realidade no nível de todos os usuários, com todos os usuários. Você não tem intermediação. Antigamente tinha uma telefonista para ligar para toda parte, hoje, na Internet, você não tem isso você é completamente acessível e acessa qualquer um. Então, esse é um negócio importante.
E terceiro, precisa examinar que modelos de negócio, devido a esse ambiente, essa nova tecnologia, sobrevivem e quais não sobrevivem. Isso vai dar muito solavanco no meio do caminho porque ninguém gostaria de ver o negócio dele ser um dos que não sobreviverão. Talvez estejamos entrando numa área de menor egoísmo, as pessoas trocam mais informação e existe menos conceito de que isso é meu e não repasso a você. É positivo, há uma mudança de mentalidade que pode levar os homens a colaborar de uma forma mais aberta e sem reservas.

Em suma, os sociólogos e os demais devem examinar isso com muito cuidado porque é uma revolução muito grande, talvez comparada à industrial. É algo que está mudando o hábito de todo mundo.  Colaborou Paula Thomaz

*Matéria foi publicada no extinto site de notícias Golden Light, em junho de 2009

Ubisoft quer peitar Square Enix com novo RPG

Ubisoft quer peitar SquareEnix e Capcom com novo RPG
A nova edição da revista japonesa Famitsu mostra uma entrevista com o diretor executivo da produtora Ubisoft, Alain Corre em que o próprio aponta que a empresa tem uma ambição de criar um RPG. Mas, não um RPG, e sim “ô” RPG, leia a aspa dele.
“A nossa missão é criar jogos top de linha, no mesmo nível de Final Fantasy e Dragon Quest. Gostariamos de ver todos no Japão nos seguindo. Talvez um dia, os nossos esforços resultem num jogo no nível de Dragon Quest”, disse Corre, que reconhece a Ubisoft por não ter essa face por produzir RPGs.
“Fazemos jogos de tiro, estratégia, esportes, ação e aventura, mas, ainda, nenhum RPG. Porém, estamos abertos a todas as possibilidades. Se conseguirmos uma  equipe de qualidade voltada para RPG, gostaria muito de lançar um jogo do gênero”.
Vamos ver se a tecnica de produção da Ubisoft é do mesmo tamanho da ganância de querer fazer algo como Final Fantasy.
INFORMAÇÕES COM EUROGAMER
plantão_noresetalaincorreA nova edição da revista japonesa Famitsu mostra uma entrevista com o diretor executivo da produtora Ubisoft, Alain Corre (foto) em que o próprio aponta que a empresa tem uma ambição de criar um RPG.
Mas, não um RPG, e sim “ô” RPG, leia a aspa dele.
“A nossa missão é criar jogos top de linha, no mesmo nível de Final Fantasy e Dragon Quest. Gostariamos de ver todos no Japão nos seguindo. Talvez um dia, os nossos esforços resultem num jogo no nível de Dragon Quest”, disse Corre, que reconhece a Ubisoft por não ter essa face por produzir RPGs.
“Fazemos jogos de tiro, estratégia, esportes, ação e aventura, mas, ainda, nenhum RPG. Porém, estamos abertos a todas as possibilidades. Se conseguirmos uma  equipe de qualidade voltada para RPG, gostaria muito de lançar um jogo do gênero”.
Vamos ver se a tecnica de produção da Ubisoft é do mesmo tamanho da ganância de querer fazer algo como Final Fantasy.
INFORMAÇÕES COM EUROGAMER

NoReset entrevistado pelo Earena Games

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JoSoares

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Provavelmente você não ficou sabendo, mas os dois editores do NoReset, mais conhecidos como “eu e Cido Coelho” foram entrevistados pelo site EArena Games.
A entrevista foi feita pelo Marcio Filho e realmente ficou muito bacana. E acho que você tem que ler, mostrando a devoção que tem pelo NoReset. Além disso você vai se emocionar com as origens deste que é o maior blog de fuleiragens e chinelagens da internet!

Sendo assim, você está intimado a ler a entrevista agora e depois vir comentar aqui o que achou.